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Nunca fui boa em lidar com frustrações. Vinda de uma família cuja tradição era prometer coisas que nunca eram cumpridas, passei a, desde cedo, detestar esse tipo de atitude e me policiar para que eu jamais dissesse que faria por alguém algo que eu não pudesse fazer.

Por isso, mais do que odiar chegar atrasada nos lugares, odeio mais ainda que as pessoas fiquem esperando por mim em algum lugar. No final, acabo me sacrificando bastante, fazendo coisas que não estou com vontade de fazer, unicamente porque em algum momento eu dei a minha palavra de que eu faria.

Ter uma infância extremamente frustrada, na qual, exceto comida, todo o resto faltava, não me ensinou humildade, mas revolta. Devido a isso, tenho extrema dificuldade de, ainda hoje, lidar com as minhas próprias frustrações e com o ostracismo alheio.

Resolvi esse “problema” reduzindo minhas expectativas para com as outras pessoas ao mínimo e tentando não depender de ninguém, afinal, se ninguém pode fazer nada por mim, eles nunca conseguirão me frustrar. Entretanto, existem momentos na vida, inclusive na minha, em que aparecem pessoas com as quais você quer contar e das quais você deseja depender. Precisar de alguém é uma das maiores declarações de amor que posso oferecer.

Mas o outro que escolhi para fazer parte da minha vida não pensa do mesmo jeito que eu e, involuntariamente, essa pessoa irá me frustrar. Minha resposta a isso ainda não está bem amadurecida, na verdade, é ainda extremamente infantil e imatura.

Quando isso acontece, há sempre duas opções: devolver a pessoa ao mundo e continuar a seguir a minha vida de maneira independente, ou aprender a lidar com os meus sentimentos e crescer, para que eu possa conviver com esse relacionamento de maneira mais amadurecida.

Sempre escolhi a primeira opção: é simples e não preciso de me embater comigo mesma para empreender mudanças, afinal, é uma prática extremamente racional e bem justificada.

Mas agora decidi enfrentar meus impulsos e buscar o crescimento. E pra isso essas postagens. Deseje-me sorte, leitor imaginário.

Quando eu cantava, a gente sempre ouvia falar entre a diferença grande que existe entre a voz que você pensa que tem, a voz que você queria ter e a voz que você realmente tem. Na vida acho que as coisas funcionam da mesma forma: há uma grande diferença entre a pessoas que realmente somos e a que queríamos ser ou a que pensamos que somos. Mas, no que se concerne a voz, não há mudança possível, por mais que se queira estilhaçar taças de cristal, se você for contralto, tá mesmo é ferrada; entretanto, com relação à vida, cabe a cada um tentar a cada dia ser uma pessoa melhor.

O primeiro passo é ter uma noção de quem se é e do que gostaria de ser. Muitas vezes nos apegamos tanto aos nossos defeitos, porque eles nos definem, que esquecemos que podemos nos definir por lembranças melhores. Outro ponto possível é saber quem se é e sofrer com isso, ligando o mode “justo a mim me coube ser eu” enquanto nada na piscina de comiseração e auto-piedade. Mas esse também não é o caminho. Se aceitar e se amar é necessário, mas usar isso como desculpa pra não evoluir é bobeira. Digo isso porque já passei da fase da auto-piedade e estaquei na da aceitação.

Agora é a hora de sair novamente do ostracismo e me mover pra tirar de mim as coisas que só me fazem mal. Coisas sim que me definiram ao longo do tempo, pelas quais sou conhecidas, mas que, por mais que eu alegue o contrário, não me fazem bem, colocando-me numa tortura psicológica em que a torturadora sou eu mesma, me massacrando a cada vez que vejo as consequências de meus atos impensados nas pessoas que amo.

Fato que já constatei e que tento mudar, é que acabo agredindo muito as pessoas que estão mais próximas de mim e que me são mais caras. Como se ser amada não fosse o suficiente, é necessário também aturar o que tenho de pior e que esforço para manter. E nem preciso dizer que isso interfere não apenas nas minhas relações pessoas, mas também na minha vida profissional, talvez até me impedindo de crescer profissionalmente o tanto que minha competência mereceria.

Há uma raiva dentro de mim que parece curtida em óleo, pra ficar mais forte, e que se transforma, em muitas das vezes em força motora de mudança em minha vida. E me define, e se torna o elemento mais memorável de quem eu sou. Ao final do dia, tudo o que eu sou acaba abafado por essa raiva, mostrando aos outros o que eu não sou, como se eu não fosse capaz de controlar o que sinto.

Mas isso não é o que sou e a partir de agora tentarei prestar atenção e mudar isso que toma conta de mim, mostrando que eu sou muito mais que isso, mas bem mais mesmo.

Just to remember

Muita coisa tem passado pela minha cabeça nos últimos meses e o único jeito que encontro de organizar o que tenho aqui dentro é escrevendo. Escrever já me manteve fora do divã muitas vezes. Até recorri a um post antiiigo de um falecido blog que, pra mim, simboliza uma reviravolta na minha vida. E é bem isso mesmo: a minha vidinha estava na mais completa e absoluta merda e depois de muita autopiedade eu resolvi me enfrentar e fazer as coisas conspirarem a meu favor. E o tal do post foi fundamental para o que eu chamo de “tomar as rédeas da minha própria vida”.

Vou até colocar ele aqui, pra que eu não me esqueça de lembrar:

Epifania

outubro 18, 2008

Hoje me olhei no espelho e reparei que quem me olhava de volta não era o mesmo rosto conhecido de sempre, nem as lágrimas que marcavam minha face eram as mesmas que eu sempre soube que pertenceriam eternamente a mim.

Hoje me olhei no espelho e não reconheci o que vi me olhando de volta. Senti falta mim, senti falta de minha vida.

Percebi que minha vida continuava na mesma esquina de sempre esperando pacientemente pelo meu retorno. Quieta, pacata, com a mesma jovialidade que eu sempre me lembrei e os mesmos sonhos puros esperando por realização.

E essa vida impostora que vivo agora é tão irreal quanto o pensamento de irrealidade que tenho sobre ela. E essas lágrimas choradas são tão falsas quanto o é esta vida que insisto em levar… por pouco tempo, pouquíssimo tempo.

E foi por pouco tempo meeesmo. Um mês depois eu já estava retomando meus planos e realizando as coisas que eu queria pra mim. Essa definitivamente foi a data do (re)começo da minha vida.

Mas tanta coisa mudou desde aquele dia. Meus sonhos já não são assim tão puros mais e a jovialidade tá indo por água a baixo (até acho que o mau humor vai vencer essa parada). Apesar disso, não guardo mágoas. O que sou hoje é simplesmente o que eu era ontem com uma pitada a mais de anos na receita. Seria inevitável. Não tem como ser Alice pra sempre, um dia o País das Maravilhas desmorona.

Me lembrei desse post porque tanta gente me disse em tão pouco tempo que eu era disciplinada que eu tive que voltar atrás e perceber onde estava a fonte dessa disciplina. Meu palpite é que ela está na escrita. Eu escrevo, eu leio e executo.

Então vou aproveitar pra me lembrar, de uma vez por todas, do meu lema (meu e do meu grande amigo Chico Buarque) dessa época específica de 2008, e vamos ver se eu consigo me disciplinar pra colocar isso em prática. Lá vai: “E pela minha lei, a gente era obrigado a ser feliz”.

Quero ver agora, Carol, vai cumprir ou quá?

Tanta coisa aconteceu desde esse post de baixo: quase tive um surto psicótico, me apaixonei uma vez, troquei de orientador no mestrado, me desapaixonei, comecei a pegar firme nos estudos, fiz novas amizades, desfiz outras, quase me apaixonei de novo, larguei a academia, extraí dois pré-molares, pintei o cabelo de castanho, me viciei em True Blood, tive a pior infecção de garganta da minha vida, voltei pra academia, passei a sentir muuuito sono, e a ter menos fome…

Me desapontei muito com algumas pessoas, fiz 25 anos, estou aprendendo a me organizar melhor e quem sabe até a dizer ‘não’.

Senti falta de escrever besteiras e resolvi voltar pro blog… e por aí vou.

Além do possível

Cansaço já não é uma palavra capaz de expressar o que estou sentindo.

Por favor, dicionário, me diz o que está acontecendo agora!

Não é novidade para ninguém que o grande amor da minha vida é a Literatura.  No momento,  estou às voltas com esse livro de Julio Cortázar (na verdade, estou às voltas com toda a produção deste homem); apaixonadíssima. Tanto que resolvi compartilhar.

Eis um pedacinho:

“O jogo da amarelinha se joga com uma pequena pedra que é preciso empurrar com a ponta do sapato. Ingredientes: uma calçada, uma pedrinha, um sapato e um belo desenho feito com giz, preferivelmente colorido. No alto, fica o Céu, embaixo a Terra, é muito difícil chegar com a pedrinha ao Céu, quase sempre se calcula mal e a pedrinha sai do desenho. Pouco a pouco, porém, vai-se adquirindo a habilidade necessária para salvar as diferentes casinhas (caracol, retângulo, fantasia, esta pouco usada) e um dia se aprende a sair da Terra e levar a pedrinha até o Céu, até entrar no Céu (…); o pior é que, justamente nesse momento, quando quase ninguém ainda aprendeu a levar a pedra até o Céu, a infância acaba de repente e se chega aos romances, à angústia do divino foguete, à especulação de outro Céu ao qual também é necessário aprender a chegar. E, por se ter saído da infância (…), esquece-se de que, para alcançar o Céu, é preciso ter, como ingredientes, uma pedrinha e a ponta de um sapato.”

As palavras que eu não digo me torturam constantemente. Meus silêncios são repletos de sons significativos.

Eu nunca te disse, mas meus olhos não sabem mentir.